No panorama energético do terceiro trimestre de 2023, destacamos os resultados financeiros e operacionais de duas empresas do setor que acabaram de divulgar os seus resultados: Engie Brasil (EGIE3) e AES Brasil (AESB3), de modo a comparar o desempenho de Engie e AES Brasil no 3T23. Ambas apresentaram movimentos importantes, porém, com nuances que merecem um olhar atento para as carteiras dos clientes da L4 Capital.

Engie Brasil – Liderança em Eficiência e Crescimento Sustentável
A Engie Brasil continua a solidificar sua posição no mercado brasileiro de energia, demonstrando uma eficácia operacional que se reflete em seus números. No 3T23, a companhia reportou um lucro líquido ajustado de R$ 928 milhões, um impressionante crescimento de 30,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Seu EBITDA ajustado acompanhou essa tendência positiva, apresentando uma elevação de 23,5%.

Apesar de uma receita operacional líquida 8,5% inferior ao 3T22, a Engie evidenciou uma melhoria substancial em suas margens, destacando uma gestão de custos eficiente, como tem feito nos últimos anos. A empresa também reportou um EBITDA ajustado com margem de 70,3%, reforçando uma performance operacional robusta.
Seu portfólio de geração de energia é diversificado e abrangente, com uma capacidade instalada operacional de 8.194,0 MW, distribuídos em 76 usinas. Há, contudo, uma queda na disponibilidade de usinas hidrelétricas e complementares, atribuída a modernizações e manutenções necessárias, respectivamente.

A divisão de transmissão e transporte de gás também merece destaque, com elevados índices de disponibilidade e a TAG atuando com sua rede de gasodutos essenciais para o mercado brasileiro. Ademais, a estratégia da Engie de atrair consumidores livres tem rendido frutos, evidenciado pelo aumento na participação deste segmento.
Do ponto de vista financeiro, a Engie apresenta um perfil de endividamento saudável, com uma relação dívida líquida/EBITDA ajustado de 2,1x, o que reforça a sustentabilidade de seu modelo de negócios. Operando a um múltiplo EV/EBITDA de 6,0x, a empresa se destaca frente a seus pares, chamando atenção de investidores focados em dividendos graças à sua previsível geração de caixa.
AES Brasil – Expansão e “Crescidendos”
A AES Brasil, por sua vez, apresentou um crescimento de receita líquida de 15,5%, atingindo R$ 908,6 milhões no 3T23. Com uma redução significativa de 10,6% em custos com energia, a empresa demonstrou uma melhoria em sua eficiência operacional. Seu EBITDA subiu para R$ 429,7 milhões, representando um salto de 51,4%, o que resultou em um aumento de margem EBITDA de 47,3%.

A operação eólica da AES Brasil, com um crescimento de 94,6%, ilustra a importância dos investimentos em novos complexos eólicos. A empresa também está avançando significativamente em suas operações hídricas e solares, o que contribui para uma matriz energética diversificada e resiliente.
No entanto, a AES Brasil apresenta uma alavancagem financeira considerável, com uma dívida líquida/EBITDA ajustado de 5,6x. Apesar disso, a empresa tem uma posição de caixa confortável para gerenciar suas obrigações de curto prazo e está investindo de maneira estratégica para assegurar o crescimento futuro.
Negociada a um múltiplo EV/EBITDA de 10,0x, a AES Brasil atrai a atenção daqueles que buscam uma combinação de crescimento e dividendos – “crescidendos“. O amadurecimento de seus projetos e a gestão progressiva de sua dívida sinalizam para uma forte geração de caixa futura e potencial retorno aos acionistas.

Conclusão sobre os resultados da Engie e AES Brasil no 3T23
Com relação ao desempenho de Engie e AES Brasil no 3T23, observamos duas estratégias distintas no mesmo setor: enquanto a Engie foca em eficiência operacional e sustentabilidade financeira, a AES Brasil aposta na expansão e diversificação. Ambas as companhias, porém, evidenciam a vitalidade do setor energético brasileiro e sua capacidade de gerar valor no longo prazo. Para o investidor, a escolha entre estas duas empresas deve levar em conta não só os resultados do 3T23, mas também as perspectivas e estratégias que elas traçam para o futuro energético do Brasil.
Acesse a divulgação completa de resultados da Engie Brasil e AES Brasil.
Texto escrito por Hugo Queiroz e Mathias Dal Ri, com revisão de Felipe Pontes.