Dívida Líquida/EBITDA: Como Analisar o Endividamento da Empresa

BLOG

O QUE ESTÁ PROCURANDO?
Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Dívida Líquida/EBITDA: sua empresa tem um endividamento saudável?

Quando o investidor está analisando uma empresa no momento de definir investir ou não, ele deve olhar para alguns pontos como crescimento, preço, lucratividade e o endividamento. Mas qual é a importância de o investidor analisar o endividamento da empresa e como ele pode estudá-lo?

Caso a empresa não tenha um nível de endividamento considerado saudável, ela pode acabar pagando uma quantidade de juros tão alta que acaba afetando seu lucro, podendo chegar até a falência dependendo da situação da empresa.

E como saber se a empresa tem um endividamento saudável? Existem vários indicadores que mostram como está a saúde financeira da empresa como Liquidez Seca, Liquidez Corrente, Dívida Líquida/Patrimônio líquido, Dívida Líquida/EBITDA etc.

Nesse texto ensinaremos como você pode entender melhor sobre o endividamento da empresa estudando o múltiplo Dívida líquida/EBITDA.

O que é a Dívida Líquida?

A dívida líquida de uma empresa significa o quanto essa empresa tem de empréstimos e financiamentos, subtraído suas aplicações em caixa. A fórmula para calcular a dívida líquida é a seguinte: Empréstimos e Financiamentos – Caixa e Equivalentes de Caixa.

A dívida líquida de uma empresa pode tanto ser um valor positivo quanto um valor negativo.

Uma empresa tem uma dívida líquida negativa, quando o valor que ela tem em caixa é maior é maior que o valor de seus empréstimos e financiamentos. Então se uma empresa tem mais capital em caixa que possui em dívidas, ela não terá problemas em pagar seus empréstimos, certo!? Um exemplo de empresa com dívida líquida negativa é a Ambev:

Fonte: Status Invest

A saúde financeira de uma empresa pode começar a ficar complicada em alguns casos que ela tem uma dívida líquida positiva, ou seja, a soma do valor de seus financiamentos. Esses casos geralmente são poucos e serão analisados no indicador Dívida líquida/EBITDA.

Um exemplo de empresa com uma dívida líquida positiva é a Petro Rio:

O que é o famoso EBITDA?

O EBITDA vem da sigla em inglês “Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortization”. Trazendo para o português, o EBITDA seria o LAJIDA, que é o “Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização.

E quais custos devemos tirar até chegar ao EBITDA?

Elaboração própria.

Para encontrarmos o EBITDA, devemos primeiro entender que ele faz parte da Demonstração de Resultados do Exercício, a DRE. No início da DRE, temos a Receita Bruta da companhia, que soma o valor de todas as suas vendas. Da Receita Bruta nós vamos deduzir os impostos sobre as vendas e os descontos dados ao cliente, para encontrar a Receita Líquida.

Após descobrir o valor da Receita Líquida, nós vamos deduzir o Custo da Mercadoria Vendida, também chamado de CMV. Quando retiramos o CMV, encontramos o Lucro Bruto da empresa.

Depois do Lucro Bruto, nós vamos agora retirar os custos da empresa com vendas, gerais e administrativas. Dentro desse ponto estarão várias despesas da empresa como marketing, remuneração de diretores e funcionários etc. Quando tiramos as despesas com vendas, gerais e administrativas, encontraremos o EBITDA, ou LAJIDA.

Não vamos aqui descrever a DRE até encontrar o lucro líquido, já que nosso objetivo era entender como era formado o EBITDA.

Aqui está uma DRE na prática, trazendo o exemplo da Via Varejo:

Dívida líquida/EBITDA

Por fim, agora que entendemos como funcionam os dois indicadores que necessitávamos para analisar nosso múltiplo, vamos enfim entender como estudar o múltiplo Dívida Líquida/EBITDA.

O indicador Dívida Líquida/EBITDA vai nos mostrar quantas vezes do EBITDA da empresa, vamos precisar para pagar sua Dívida Líquida. Na prática, o indicador vai mostrar quantos resultados operacionais (EBITDA) da empresa vamos precisar para pagar seu endividamento.

Vamos então calcular na prática qual a Dívida Líquida/EBITDA de 2021 da Via Varejo:

  • EBITDA: R$ 650 milhões
  • Dívida líquida: R$ 2.813 milhões
  • Dívida líquida/EBITDA = 2813/650 = 4,32x

Então, a Via Varejo possui um múltiplo de 4,32x Dívida Líquida/EBITDA. Na prática, isso significa que a companhia necessita de 4,32x o seu EBITDA atual para pagar sua dívida líquida.

E como saber se esse valor é preocupante para a situação financeira da empresa? No geral (não em todos os casos), o investidor deve ficar mais atento com um múltiplo Dívida líquida/EBITDA que seja maior que 3x.

Mas isso não é uma regra obrigatória, já que o EBITDA das empresas pode crescer a cada ano. Então, principalmente em empresas de crescimento mais acelerado, o indicador Dívida Líquida/EBITDA, deve ser acompanhado em conjunto com a projeção de crescimento do EBITDA para o próximo ano.

Por fim, cada empresa terá seu caso específico. Então o investidor deve olhar no momento de analisar o endividamento não só o indicador Dívida Líquida/EBITDA de forma isolada, mas em conjunto com o crescimento do EBITDA da empresa, prazo de pagamento da dívida, e outros indicadores de endividamento como a Liquidez seca, Liquidez corrente, Dívida líquida/Patrimônio líquido etc.

Artigo de autoria de André Moura e Eduardo Nogueira, participantes do projeto Educação Financeira para Toda a Vida, da Universidade Federal da Paraíba.

Posts Recentes

Implementação passiva

A implementação passiva, trata-se de uma consultoria, mas caberá ao cliente dar andamento nas recomendações do nosso consultor junto ao seu banco/corretora.

Após a avaliação das necessidades e objetivos financeiros do cliente, o nosso consultor financeiro apresentará uma estratégia de investimento que melhor atenda às suas necessidades.

Essa estratégia poderá incluir a recomendação de um portfólio diversificado de investimentos, por exemplo uma combinação de ações, títulos, fundos de investimentos, ETFs e outros ativos financeiros.

No entanto, é importante ressaltar que a decisão final de investimento é tomada pelo próprio investidor. Nossos consultores financeiros oferecem recomendações baseadas em sua experiência e expertise, mas é o cliente quem decide quais investimentos serão feitos e quando.

Investimentos Internacionais e Alternativos

Investir no exterior deixou de ser algo possível como necessário. Entendemos que os riscos associados aos investimentos pode também ser mitigado por exposição em outras geografias aproveitando melhor os ciclos de mercado. Aqui exploraremos classes de ativos internacionais como Private Bonds, Treasuries, Equity, ETFs e Derivativos. Damos maior preferência ao mercado americano (EUA) por apresentar maior liquidez e melhores oportunidades de valorização no longo prazo.

Elementos mais ilíquidos também são uma excelente forma de buscar por retornos mais consistentes no longo prazo através de classes de ativos mais sofisticadas como os os investimentos alternativos. Basicamente são ativos financeiros que não se enquadram nas categorias de investimentos convencional, como ações e títulos de dívida. Os investimentos alternativos podem incluir Private Equity, Venture Capital, Commodities, Real Estate e até mesmo obras de arte e antiguidades.

Embora os ativos alternativos geralmente exijam um volume inicial alto e taxas de investimento iniciais mais elevadas, os custos de transação são normalmente mais baixos do que os dos ativos convencionais devido aos níveis mais baixos de rotatividade.